Últimos de 2009
Novembro 24, 2009
Fiquei algum tempo sem escrever, mas continuo trabalhando muito. Ainda bem! Os resultados desse ano falam por si mesmos. Sinto um enorme orgulho desses meus alunos tão dedicados e entusiasmados. Superaram todas as dificuldades que apareceram no caminho. Que legal que é isso!! Ensinar essa moçada é um verdadeiro privilégio…
Andava com muita saudade desses gatos. Olha só o que o pessoal aprontou:
Conhecendo o lápis de cor aquareável:
E podem aguardar. Estamos preparando nossa exposição para o próximo dia 06 de dezembro. Quando o convite ficar pronto, prometo postar aqui.
Ah! O mangá ficou pro ano que vem…
Curso de Férias
Outubro 5, 2009
Férias é férias. Cada um escolhe o que vai fazer! Durante o ano o curso é dirigido. Mas acho extremamente justo as crianças escolherem o que vão fazer quando estão de férias.
Já fizemos muitas coisas diferentes como vitrais de papel de seda, bordados em feltro, quadros de lã. Mas esse ano foi diferente. As crianças que fizeram o curso optaram por desenhar. Recebi tanto em janeiro como em julho, alguns meninos com mais ou menos 14 anos que são simplesmente sensacionais!! Adorei trabalhar com eles!

Adoro esse trabalho!!

Essa aquarela está maravilhosa!

Leveza e delicadeza! Perfeito!

Belíssimo trabalho!

Lindo e muito bem desenhado!

Esse goblin é tudo de bom!!
Então é isso!
Materiais Utilizados
Outubro 5, 2009
Algumas pessoas me perguntaram quais os materiais que utilizo em aula e quais os livros usados como material de apoio. Então vamos lá:
Materiais
Tintas Aquarelas

Aquarela Reeves 12 Cores

Aquarela Pentel 18 Cores
Giz de Cera

Giz de Cera Alemão Stockmar

Giz de Cera Nacional Apiscor
Lápis de Cor

Lápis de Cor Aquarelável 48 Cores Faber Castell
Lápis Grafite

Lápis Grafite Integral Faber Castell
Papéis

Papel para Desenho

Papel Para Aquarela
Livros

Excelente Para Trabalhar com Giz de Cera

Esse livro tem mandalas belíssimas!

Muitas mandalas...

Esse livro é bem legal!

Gosto demais desse livro

Ótimo mix de desenho e aquarela

Essa artista plástica trabalha muito!

Esse livro é bem didático

Nesse livro tem lindos desenhos para fazer

Amo esse livro!! Ótimo para pintar com aquarela!!

Aqui tem desenho muito especias!
Bem, acho que deu para se ter uma idéia de como venho trabalhando. Espero ter ajudado!
Fadas
Setembro 29, 2009
Alguns alunos me pediram para desenhar mangá. Confesso que tenho certa dificuldade em gostar da linguagem do mangá. Fui atrás de mais informações para tentar me encantar, mas isso não aconteceu… Não sei se isso é defeito ou qualidade: só consigo ensinar as coisas que me tocam a alma. Esse estado apaixonado motiva as crianças, já percebi. Todas as vezes que tentei ensinar algo que não achava muito legal, o resultado final não foi lá essas coisas!
Porém estava encrencada. O que ensinar então? Tenho alguns livros sobre desenhos de fadas. Achei que o tema ficava no meio do caminho. A linguagem tem certa proximidade com o mangá, mas tem um algo mais. Um algo de magia que era o que estava faltando para iniciarmos nosso assunto.
Começamos com os olhos: olhos de fadas não são como olhos de gente…

Vários olhares...

Cada um tem seu olhar...

Olhares diferentes...
Agora com cor!

Fadas tem olhos diferentes!

... que podem ser delicados...

... sérios...

... meigos...

... assustados...

... atentos...
Orelha de fada é pontuda, já orelha de gente é redonda…

Orelhas não são fáceis de desenhar!

Devem ser simétricas...

... e se possível, iguais!
Nariz sem os olhos é muito difícil…

Será um elfo?

Nariz de gente ou de elfo?

E esse? Alguem sabe me dizer?
Agora o rosto todo…

Bravo, muito bravo!

Elfo guerreiro

Olhando o alvo...

Tempestade chegando!
Agora é hora de por cor nesse rosto!

Triste...

Fada menina!

Fada rainha

Fada com biquinho!

Fada delicada
Beleza! Vamos para o corpo!

De lado...

Frente e costas
Agora já podemos brincar! Olha só o que aconteceu!!!!

Ai que fome!

Bolo? Biscoito? Pizza???

Esse trabalho ficou muito legal!!

Muita magia!

Pão de duende é feito de raízes?

Vai voar...

Muito delicado!

Esse trabalho é lindo!

Tão tímida...

Fada etérea!
Estamos agora entrando no grande desafio para encerrar esse assunto. Estamos fazendo uma fada aquarelada… Não é nem um pouco fácil. Assim que estiver pronto, vou postar para vocês!
Ah! Prometo que me esforçarei mais para gostar de mangá! Será nosso próximo assunto e eu não poderei fugir mais…
Os Grandes Mestres Clássicos
Setembro 21, 2009
No ateliê tenho muitos livros de pintura dos grandes mestres (Van Gogh, Renoir, Matisse…). Às vezes mostro para as crianças como esses pintores fizeram para conseguir determinada cor, criaram um certo tipo de atmosfera, como usam a luz e a sombra… Alguns alunos tinham certa dificuldade com essas obras, distantes da realidade estética que eles vivem hoje. Pensando nisso, quis criar uma certa proximidade para que essa realidade se aproximasse de alguma forma da verdade deles: pedi para que cada um olhasse boa parte dos livros que disponibilizei para que copiassem com o giz pastel seco.
Não acredito que apenas olhando as imagens de um determinado pintor num livro, vai fazer com que os jovens passem a admirá-lo, justamente pela distância estética. Os quadros podem ser belos, mas não dizem respeito à realidade deles. Portanto é um belo vazio! É simples assim! Wahrol se aproxima muito mais dessa verdade do que Van Gogh.
De qualquer forma, queria propor um mergulho. E foi muito interessante. Escolher o trabalho não foi fácil. Era preciso que eles se identificassem de verdade com o que iriam fazer. Isso fez com que eles parassem para olhar de fato para cada uma das imagens. Fora isso, era necessário pensar se aquele quadro iria ficar bonito feito em giz pastel (novidade de técnica). Novamente me surpreendi! Achava que seria muito mais difícil do que foi.

Três meses de sufoco que valeram a pena!

Incendiário!!

Olha só que delicadeza...

Esse trabalho ficou lindo!
O Grande Salto
Setembro 14, 2009
Mergulhamos de cabeça nos desenhos de animais. Agora é hora de cada um escolher o bicho que quer desenhar.
- Será que eu consigo? – Perguntam
- Claro!! – digo eu – Você tem todos os atributos e conhecimentos técnicos para conseguir. É só ir com calma… Coragem!!
- Papel grande ou pequeno?
- O que você acha melhor? Olhe bem para o desenho que você quer fazer…
- Acho que com o papel grande ficará melhor.
- Legal! Vamos começar, então!
As crianças precisam de ajuda, sim. Mas a autonomia é também uma conquista que se faz ao longo do curso. Eles precisam saber que são capazes de fazer desenhos e pinturas muito bonitos sem minha ajuda (que às vezes se resume exclusivamente à minha presença, e eles nem se dão conta!!)
Resolvido qual o animal a ser desenhado, é hora de transferi-lo para o papel. Já tivemos muitas lágrimas porque o rabo ou a orelha não couberam na página.
- Apagar e começar de novo?? De jeito nenhum!!!!!! – respondem com os olhos cheios de lágrimas – Passei a aula toda fazendo e não vou recomeçar!!!!!!!!!!!!!!!!
- Mas ele vai ficar assim? Sem duas patas?? Você não acha que está esquisitíssimo?
- Tá bom, tá bom! Eu vou A-PA-GAR TU-DO! E eu detesto essa aula!!!
- Tudo bem… Mas eu adoro você!
E assim, com o lápis bem leve pra começar a riscar e não marcar excessivamente o papel caso precise apagar (novamente!), mãos limpas para não sujar ou, pior, manchar a folha, o desenho começa a nascer. Senti que foi nesse momento que eles compreenderam a quantidade de conhecimentos que adquiriam e nem se deram conta de que tinham. Quando as crianças se vêem capazes de executar algo que a princípio achavam impossível, com pouca orientação o impossível acontece! É o momento da grande descoberta: eu consigo fazer!!!

Quase não coube na página!

Esse cão é demais!!

Amo esse trabalho!!!
Fazemos muito desses desenhos até que chega a hora mudança novamente: a introdução do carvão, do papel A2 (muiiiito maior)e do cavalete.
As crianças estão preparadas para olhar para o seu próprio trabalho se distanciando um pouco. Quero dizer com isso que às vezes é preciso se afastar alguns passos do trabalho para “enxergar com precisão” o que está faltando ou que precisa de conserto. Eu já vinha fazendo isso ao longo do desenho de grafite: pegava o desenho, me afastava e fazia com que o aluno olhasse e deixava que ele buscasse a resposta da sua pergunta. Com a ajuda do cavalete ele mesmo pode responder à sua própria dúvida. Autonomia é liberdade de criação, ainda bem!
O carvão é um material delicioso para se trabalhar desde que você não se incomode de sujar as mãos (e a roupa eventualmente). Alguns alunos tiveram mais dificuldade com a sujeira do material (confesso que fiquei surpresa com isso!) do que com o trabalho em si.
De qualquer forma foi surpreendente! As crianças se entregaram… Foi bem legal mesmo!!

Luzes e sombras bem colocadas...

Perfeito!

Esse é motivo de orgulho!

Até parece que é manso...

Está vivo, não está?!

Bela girafa

Muito legal!
E assim encerramos os desenhos de animais.
Descanso das Tintas – Lápis Grafite
Setembro 14, 2009
O lápis grafite é um material que as crianças já estão bem familiarizadas. Sua introdução, portanto, é bem mais simples. Começo ensinando as diferenças entre os tipos de grafite: desde o mais durinho até o mais macio. Depois é hora de experimentar. Fazemos um círculo à mão livre (que difícil!!), controlando a pressão do lápis no papel e então preenchemos usando todos os tipos de grafite para que as diferenças do material sejam sentidas.

Soltando a mão com o grafite

O tão sofrido círculo (!)

Lindos tons de cinza
Fazer a esfera sair do papel é o segundo desafio. Voltamos outra vez com luz e sombra olhando novamente para fora da sala de aula. Onde está o sol? Se fico de um determinado lado de um jardim como será minha sombra? E se ficar do lado oposto? A luz do sol vai refletir em que parte do meu corpo? Qual a diferença da cor da minha camiseta na área em que a luz do sol está refletindo e na área em que não tem luz? A minha sombra pode mudar de tamanho e lugar dependendo da minha posição no jardim?
A mudança do olhar dos alunos faz com que eles naturalmente fiquem mais atentos aos seus próprios traços. Dessa forma os trabalhos que antes eram executados com certa rapidez, passam a ter uma demanda maior de tempo. Nesse momento do curso deixo um pouco as tintasde lado porque simplesmente não dá tempo para trabalhas as duas frentes.

Luz e sombra de novo

Cada um tem seu jeito...
Minha primeira turma de alunos é simplesmente apaixonada por animais. Aproveitando esse gancho, comecei a introduzir um pouco de desenho de bichos como forma para eles se soltarem e se familiarizarem com o lápis grafite, agora de forma mais didática e precisa. Tenho dois livros muito antigos que ensinam a desenhar tanto animais domésticos quanto animais selvagens com uma característica que gosto muito: poucos detalhes. Esses livros definem com poucas linhas a essência dos animais porém estão todos lá, facilmente identificáveis.

O olhar individual ...

... do mesmo gato!

Gosto do olhar desse gato...

... e desse tambem!
Nesta fase não estou muito interessada em querer que as crianças desenhem com precisão a pata de um gato persa, por exemplo. Interessa seu olhar, sua leveza, sua expressão. Introduzo aqui a cópia, a proporção e a individualização do trabalho. Não quero cópia perfeita. Se o aluno acha que o desenho ficará melhor com uma (s) determinada (s) mudança (s), deixo que experimente e conclua se suas observações são ou não pertinentes.

Tem gato de corpo todo...

... tem gato risonho (ou será nervoso?)...

... e tem gato vira lata!
A cópia, na verdade, é mais um elemento para ser usado como referência. Existem alunos que tem facilidade para copiar e outros nem tanto. Quero que aprendam a olhar para o livro como olham para o jardim da sala de aula. Tento fazer com que a interpretação individual do seu próprio trabalho floresça com segurança e a certeza de que seu olhar para a arte é tão valioso quanto o olhar daquele grande pintor que eles tanto admiram ou virão a admirar.
Régua, Compasso, Lápis de Cor e Precisão
Setembro 9, 2009
As crianças agora estão absolutamente soltas com a aquarela líquida, os papéis A3 e A4 e os diferentes tamanhos e tipos de pincéis. Introduzo então a aquarela em pasta, sem ser diluída em água.
O desafio nessa fase é ensiná-los a diluir a tinta na palheta sem perder as características da aquarela de leveza e transparência. No início dá uma vontade quase incontrolável de enfiar o pincel naquela tinta e usá-la bem forte… É um exercício conseguir se controlar, afinal de contas aquarela não é guache! Outra novidade é a aquisição de novas cores já preparadas, como os verdes e os marrons. Alem disso, as crianças agora vão misturar as cores na palheta e não no papel como vinham fazendo até então.
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Tudo novo de novo!

Muitas cores novas...
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Esse foi difícil!!
Régua e compasso no desenho: passamos por essa fase de forma menos detalhada. Na verdade esses materiais foram usados mais como desculpa para a introdução do lápis de cor. Aqui as crianças aprendem a fazer o círculo e a dividi-lo com o apoio do compasso. Usando a régua surgem formas geométricas muito bonitas. É hora de trabalhar a limpeza do papel e a precisão do traço.
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Régua e Compasso
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Compasso e lápis de cor
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... Trabalho sem fim ...
Assim, inevitavelmente surgiram as mandalas…

Muito elaborada com lápis de cor bem apontado

Lápis bem aquarelado!

Muito trabalhoso!!

Precisão do pincel...
Tenho dois livros sobre mandalas que gosto muito e uso esses livros como suporte para trabalhar com o lápis aquarelado. Começamos com uma mandala pequena e simples para eles experimentarem o lápis de cor. À medida em que as crianças vão adquirindo familiaridade com o material, as mandalas vão ficando cada vez mais complexas e maiores. Interessante observar que durante esse trabalho as crianças vão desenvolvendo um olhar de precisão: se na primeira mandala que coloriram não se incomodaram com as “borradas” que aconteceram, isso passa a ser motivo de incômodo ao longo do percurso.
A pintura de mandalas foi uma enorme surpresa quando introduzi no curso. A idéia inicial era apenas ter um material de apoio para que eles se apropriassem do lápis de cor. Mas as crianças gostaram tanto e pediam sempre mais que acabei aproveitando o gancho para o aprofundamento do uso do lápis de cor aquarelado. E o resultado é esse que vocês viram aí!
Passei então a preparar as crianças para o uso do lápis grafite. Para isso era necessário um pouco do conhecimento de luz e sombra, agora de forma mais técnica e precisa.

Sombra e luz

Luz e sombra!
Outro grupo quis fazer alguns desenhos com o lápis de cor. Eis o resultado:
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Fadas voadoras no outono...

Adoro essa selva!!
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Esse dragão é muito poderoso!

Esse cara é muito legal!
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Adoraria morar nessa casa...

O Coisoooooo.................
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Adoro esse trabalho!

Cuidado com a cabeça!!!!!!!!!!!!!
Aquarela Líquida, Papel Seco + Giz de Cera
Setembro 6, 2009
Passamos um ano, às vezes mais que isso, só usando a aquarela líquida com o papel Canson molhado. Paralelamente, trabalhamos com o giz de cera. Troco a técnica da pintura quando as crianças já estão bem familiarizadas com as cores primárias (azul da Prússia, azul ultramarinho, vermilion, vermelho carmin, amarelo limão e amarelo ouro) e as secundárias (laranjas, verdes e lilases).
Mantendo a aquarela ainda em estado líquido, passamos a trabalhar com o papel Canson seco. A tinta não desliza mais pelo papel e agora é hora de trabalhar as transparências e iniciar um pouco de forma. Nessa fase, fica bem mais evidente a diferença entre se trabalhar com papel A3 (maior) e A4 (menor). Introduzo o uso de pincéis menores – tanto redondos quanto pincéis chatos – e aos poucos as crianças vão experimentando e descobrindo as qualidades de cada um dos pincéis. Surgem as cores terciárias (marrons, cinzas…) que é sempre uma surpresa gostosa. Ainda que de forma inconsciente, começo a introdução da luz e da sombra.

Sobreposiçao de Linhas

Não juntar as cores tambem é legal!

As formas!!!
Com o giz de cera faço uma mudança mais didática do que técnica. Os desenhos que antes eram livres passam a ser dirigidos, ou seja, passo a desenhar junto com as crianças. Dessa forma, o processo de apropriação do papel iniciado no ano anterior é concluído: eles passam a usar a folha toda, distribuindo suas idéias de forma mais harmônica. Aí entra a proporção, luz e sombra e um pouquinho de perspectiva com cor. Tudo isso apenas observando o entorno.
Com isso quero dizer que ao olhar para fora da sala de aula observamos não mais apenas com quantos tons de verde posso pintar / desenhar uma árvore, mas onde esses verdes são colocados. Em que partes da copa da árvore encontramos um verde mais claro? O tronco tem sempre o mesmo tom? Onde fica mais escuro? Podemos observar também a diferença do tamanho de uma árvore que está mais longe com relação a essa que se encontra ao nosso lado. Usamos também papel A3 e A4 para que as diferentes possibilidades apareçam.

Folha preenchida e muito colorida...

Muitos elementos!!

Quem está mais perto?
Agora é hora de começar a preparar as crianças para uma nova etapa do curso: ainda usando o giz de cera, introduzo o desenho com traços retos e precisos. Essa técnica ajuda as crianças a trabalhar com o lápis de cor e o lápis grafite, além de exercitar certa precisão.

Não é fácil, não!
A Chegada Ao Espaço
Agosto 27, 2009
A maioria dos desenhos das crianças que chegam ao Espaço tem algumas características em comum: excesso de linhas retas (horizontais e verticais), pouco preenchimento do papel e poucas, pouquíssimas cores. Outra observação que faço é a enorme dificuldade que as crianças tem para criar seus próprios desenhos. O excesso de parâmetros estéticos impostos às crianças hoje em dia, gera um certo receio para esses jovens se expressarem individualmente, de forma livre e sincera. O belo é algo que já foi criado. Aquilo que eles fazem, não serve. Portanto copiam, preenchem desenhos prontos, colam imagens. Acho isso uma pena!
Meu primeiro passo, então, é destravar essa moçada! Ajudá-los a se apropriar do papel usando o giz de cera e a aquarela, trazer novos elementos para esses trabalhos assim como ensiná-los a vivenciar as qualidades das cores. Em última análise, o que tento fazer é trazer ao mundo que está guardado dentro deles por motivos diversos.
Não é um começo fácil. Trabalhando em duas frentes (aquarela e giz de cera), é necessário fazer esse caminho duas vezes na mesma aula de formas diferentes.
Gosto muito do giz de cera porque ele permite o preenchimento rápido do papel, as cores misturadas geram novas cores bem interessantes e bonitas. Alem disso essas cores são muito vivas. Gosto particularmente da marca Stockmar (importado, alemão). No Brasil, existe um genérico desse giz chamado Apiscor que é bem razoável.Uso o papel Canson A3 e A4 para esse trabalho. É importante que eles percebam a diferença de detalhamento que acontece quando desenham em folhas maiores e menores.
Com relação à forma, procuro trazer um pouco mais dos elementos redondos para o desenho. Seja de forma abstrata

Exercício Redondo -
seja de forma concreta

Exercício Redondo - Manuela - 8 anos - 2005
Os elementos são trazidos lentamente para dentro do trabalho. Em todas as aulas olhamos para fora da sala de aula e observamos alguma coisa da natureza: quantos tons de verde têm aquela árvore? Existe uma árvore igualzinha à outra? Viram aquela flor nova que nasceu? Quantas corem tem suas pétalas? O céu é só azul? E o chão? Quantas cores têm o chão? Assim começo a despertar o olhar das crianças para as coisas que estão à sua volta de forma que esses novos elementos sejam levados para o papel.
Já na aquarela, uso apenas as cores primárias: azul (prússia e ultramar), vermelho (vermilion e carmim) e amarelo (limão e ouro). Com essas seis cores podemos fazer uma gama enorme de outras cores. Assim, através dessas cores começo um trabalho de vivência das qualidades dessas cores. Quero dizer com isso que se pinto com o azul, posso vivenciar o frio ou a escuridão ou a solidão, a melancolia. Já se uso o vermelho posso estar vivenciando o calor, a raiva… Enfim, através dessas qualidades vivenciadas durante a pintura passo a transmitir alma para os trabalhos usando a forma ou não.
Quando trabalho apenas cores na aquarela, gosto muito de usar o papel molhado, porque a cor desliza pela água do papel e, não se fixando, não permite a forma. Costumo contar histórias onde a qualidade de determinada cor esteja em evidência. Por exemplo: “Era uma vez uma menina que se perdeu numa floresta . Quando a noite chegou não havia uma única luz sequer para iluminar o seu caminho (azul). De repente ela viu uma luzinha lá longe e começou a seguir em sua direção. Conforme se aproximava, essa luz ia ficando mais intensa (amarelo)”.

Vivência de Luz e Sombra - Luisa - 8 anos 2005
Algumas crianças ficam enlouquecidas com isso e levam algum tempo até se habituar apenas em vivenciar as cores e não formatá-las. Descobrir novas cores apenas misturando, é sempre uma surpresa! Como surgiu esse roxo? Mágica!!!!!
Para essa fase da pintura, uso a aquarela Reeves diluída, pincel Tigre 286 n. 18 e bloco de Papel Debret A3 e A4.
E é com essa enorme quantidade de materiais novos, informações novas e jeitos novos de pintar e desenhar que as crianças chegam ao Espaço…












